DUO TRANSBORDAMENTOS
DUO TRANSBORDAMENTOS
A inauguração aconteceu no dia 8 de fevereiro, às 11h. A exposição “DUO Transbordamentos” foi organizada em parceria com o Estúdio Extraordinário, sob curadoria de Katia Salvany, trazendo obras de artistas mulheres pela capacidade generativa e criativa de todas em seguir com suas pesquisas artísticas em meio às diversas demandas e cuidados de suas vidas e de terceiros, somente possível com uma rede mínima de apoio e parcerias, incluindo as artistas Cleiri Cardoso, Eliane Gallo, Flávia Renault, Gersony Silva e Raquel Fayad. A mostra irá até 20 de abril.
“Para essa primeira exposição do DUO Espaço de Arte, o DUO se une a um terceiro elemento, o artista, e no três reverberam criatividade e todas as formas de expressão ao viabilizar um espaço e o encontro do público com artistas potentes em início de jornada”, salienta a curadora Katia Salvany.
DUO Transbordamentos
Texto Curatorial: Katia Salvany
Todo projeto nasce de uma complexa rede de desejos, projeções e expectativas que se manifestam nas intersecções das necessidades pessoais e coletivas de todos os envolvidos.
A exposição DUO Transbordamentos acontece nesse lugar inicial, fundante, determinado e corajoso do campo da arte, o espaço expositivo como palco, cenário, vitrine, laboratório, acervo, morada – enfim, local vivo, repleto de infinitas possibilidades e parcerias.
Em DUO, um e mais um, caminham no dois, suas polaridades e qualidades sensíveis e humanas vibram na relação, nas trocas equilibradas, no diálogo com sabedoria, nas parcerias.
Sabemos que sem obras de arte, o mercado e seus diversos atores não conseguem se movimentar, sem a possibilidade de um artista compartilhar sua produção a experiência estética não se completa no outro e é aqui que o transbordamento se faz, justamente quando a arte toca no outro naquilo que realmente importa e assim dá forma ao incontornável, ao que falta na falência das palavras. Obras são sínteses poderosas de sensações, discursos e inquietações, não raras, veladas, inconscientes e viscerais.
Para essa primeira exposição do DUO Espaço de Arte, em parceria com Estúdio Extraordinário, foram selecionadas artistas mulheres pela capacidade generativa e criativa de todas em seguir com suas pesquisas artísticas em meio às diversas demandas e cuidados de suas vidas e de terceiros, somente possível com uma rede mínima de apoio e parcerias.
Assim DUO se une a um terceiro elemento, o artista, e no três reverberam criatividade e todas as formas de expressão ao viabilizar um espaço e o encontro do público com artistas potentes em início de jornada.
Para Cleiri Cardoso, corpo, seiva, carne, vegetação e tempo são os disparadores de suas produções em gravura apresentadas na série “Corpo cultivo”. Já na série “Plantas de cura” as gravuras recebem molduras em crochet, uma analogia sensível ao cuidar diário.
Encontramos em Eliane Gallo a presença de um corpo amorfo visceral que se constrói pelos entrelaçamentos de fios de algodão e viscose coloridos. Suas esculturas têxteis remetem às imagens internas do corpo, mas e também às complexas formas da natureza.
Em Flávia Renault, histórias resgatadas são ressignificadas ora por meio de recortes, desenhos, colagens, sobreposições de cartas e documentos familiares, ora pela assemblagem, em pequenos formatos de objetos, peças de movelaria, vidros e folhas de ouro.
Gersony Silva investiga por meio de desenhos, esculturas e instalações a liberdade, o movimento, as asas muitas vezes presentes em suas obras são como manifestos do desejo de sonhar.
Nas obras de Raquel Fayad, a força da natureza e mulheres ancestrais apresentam-se em narrativas de vida, morte e renascimento, suas pinturas e aquarelas mesclam corpos de mulheres às raízes, linhas, fios, veias, rios e teias.
Sobre as Artistas:
Cleiri Cardoso (Santo Antônio do Sudoeste - PR, 1977). Vive e trabalha em São Paulo. Artista e professora. Desenvolve trabalhos relacionados à imagem impressa e aos meios de reprodução de imagens e a aproximação destes com a fotografia e o vídeo. Fez Mestrado em Poéticas Visuais pela ECA/USP, licenciatura em Artes Visuais pela faculdade Artes de Paraná FAP, participou de residência artística no Canadá e em Cuba. Foi premiada na 8ª edição do edital Redes Nacionais Artes Visuais da Funarte, 2° lugar na Bienal Internacional de Gravura de Santos/SP, participou de diversas exposições, entre elas exposição coletiva Registros no museu da Gravura, Curitiba/PR, Cidades na Leitura - Plana no Art Book na China Museu de Arte Moderna, Xangai e As vidas da Natureza Morta no Museu Afro Brasil Emanuel Araújo.
Eliane Gallo (Amparo, 1971). Vive e trabalha em Amparos - SP. Estudou arquitetura e urbanismo, mestrado em educação e doutorado em artes visuais. Participou de exposições nacionais nas quais recebeu várias premiações. Teve participação em exposições coletivas e duas individuais. O tema Si, revelada pela observação dos fenômenos da natureza, com os ritmos e suas complexidades. A materialidade das obras é um canal de passagem para metabolizar as infinitas camadas de tempo e memórias da artista. No Espaço Cultural Tote em Sousa em Campinas faz uma exposição individual intitulada Ex-paisagens: um espaço de cura. As últimas exposições realizadas foram em 2024 Paisagem corpo - corpo paisagem. Casa Contemporânea - São Paulo - SP; 2024 15th Contemporary Art Exhibition /museum of Northern History Canada - CA e 2023 Espaço Ophicina - São Paulo - SP.
Flávia Renault (Rio de Janeiro,1971). Vive e trabalha em São Paulo. Graduou-se em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado em 2001. Flávia realizou as exposições individuais Roda das Deidades, no Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais (2024), arquipélago, no Centro Cultural Correios, São Paulo (2023), Territórios. Atelier 234, São Paulo (2022); e participou das coletivas Cama de Gato, edifício Vera (2024); Três Marias. Centro Cultural Correios. Rio de Janeiro (2024); Toda Volta. Galeria de Babel, São Paulo (2023); NENHUMLUGARAGORA. Edifício Vera, São Paulo (2023); Quando Eu Estou, Ela Não Está. Espaço Independente. São Paulo (2023); O Que Ancora. Samba Contemporâneo. Rio de Janeiro (2023); Origem. La Salvage Galeria, São Paulo (2023). Participou também das residências: Fenomenologia de Goethe, com Sérgio Spalter e Cecilia Tilkien. País de Gales, Reino Unido (2023); Aquarela com Pink Wainer. Futaleufu, Chile (2022); Fenomenologia de Goethe, com Sérgio Spalter e Cecilia Tilkien.. Futaleufu, Chile (2018).
Gersony Silva (São Paulo, 1959). Vive e trabalha em São Paulo, é artista visual, pedagoga, arte educadora, arte-terapeuta e arte-reabilitadora de crianças com necessidades especiais, com atuação e pesquisas em instituições como AACD (Associação de Assistência às Crianças Deficientes), Instituto de Psiquiatria da USP, entre outros. Desde 1981 trabalha em projetos de inclusão social, com moradores em situação de rua e arte na periferia. Participou de exposições no Brasil e exterior, em galerias, museus e centro culturais. Possui obras em coleções particulares e institucionais. Participou de residências como ENCHAGEUR22 (França, 2018) e tem suas obras e artigos publicados em livros.
Raquel Fayad (Atibaia-SP-1968). Vive e trabalha em Itu. Graduou-se em Artes Visuais, Música, Dança e Gestão Cultural. Realizou exposições individuais na Pinacoteca de Botucatu, no Museu do Café em Santos, na Galeria Angelina W. Messemberg de Bauru, Museu Del Crudo Italia e participou das Coletivas AR no Marp / Macs, SESI Campinas e Itapetininga, em Kirkland Lake Museum Canadá, CC Correios, MAB FAAP, Bienal Intern. Arte Contemp. Curitiba, DAP Arte Londrina 7, Museu de Almeria Espanha, no MAM Rio Novas Aquisições Gilberto Chateaubriand, entre outras. Entre as residências estão o Festival Arte Serrinha, Kaaysá, NOARTE Museu, Itália, Mem Am Latina SP. Tem obras nos acervos: MAM RIO, FAMA Museu, e coleções particulares. Prêmios ProAC 2020 a 2023, Edital Bauru, LPG 2022 e 23, Aldir Blanc 2021 a 2023. Criadora e apresentadora do podcast Mulheres e a Arte. Na sua produção, a artista articula as presenças femininas, promovendo reflexão sobre os papeis sociais da mulher ao investigar as relações entre a ancestralidade feminina, a escuta e a troca em comunidade, e alguns elementos simbólicos, como aranhas, galhos, teias e raízes, experimentados em suportes diversos, sobretudo pintura e desenho.
Sobre a Curadora:
Katia Salvany é artista, curadora independente, Mestre e Doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Pesquisadora CAPES em 2014, programa de pós-graduação no RCA – Royal College of Art, Londres, professora no curso de Bacharelado em Artes Visuais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo desde 2004 com participação em exposições no Brasil e no exterior. Pós-graduada em Constelação Original Hellinger/Innorare - SP, formação em Constelação Sistêmica Escola VIDA – Curitiba. Atua como orientadora de projetos artísticos há mais de 22 anos, em diversas instituições entre elas - editais Meios e Processos de 2019 e 2020 / FAMA - atual Museu São Pedro em Itu, Laboratório de Aplicabilidades-Orientação Artística/ Instituto Adelina São Paulo, Casa Tato 7-SP (2023), Curadora residente Casa Tato 9 -SP (2023), curadoria em diversas exposições no Galpão556-SP,ministrou cursos pela SMC, SESC, Pontos de Cultura e espaços de arte e cultura no interior de SP, MAM/SP, Estúdio Extraordinário / Itu. Criadora da Mentoria Artística Sistêmica® para curadoria e acompanhamento de processos criativos com aplicação do pensamento sistêmico.
A exposição estará em cartaz até o dia 20 de abril de 2025
Curadoria: Katia Salvany
Produção e Montagem: Equipe EE
Fotografia: Gessica Morais